Muitas pessoas reuniam-se em torno de M. que falava a elas sómente sobre Deus. Desde a sua infância M. possuia inclinações religiosas e místicas. Quando ele contava apenas cinco anos de idade, tinha o hábito de subir no telhado da sua casa para olhar fixamente para a vastidão do céu ou de permanecer ali durante as monções e sentir as chuvas torrenciais.
Ele foi um estudante brilhante. Depois de sua graduação na universidade, abraçou a carreira de professor, trabalhando como diretor em várias escolas de Calcutá. Foi um excelente professor, bem versado nas filosofias ocidental e oriental, como também em história, literatura, astronomia, e ciência. Além disso, estudou o Novo Testamento tão minuciosamente que podia citar muitas passagens de memória.
Quando conheceu Sri Ramakrishna em 1882, encontrava-se a ponto de desistir da sua vida. Frustrado com os golpes da vida, estava quase cometendo o suicídio. Foi aí então que um dos seus amigos apresentou-o a Sri Ramakrishna. Isto mudou o curso da sua vida e ele tornou-se um dos mais avançados apóstolos de Sri Ramakrishna. Mais tarde ele disse aos devotos: 'Depois de conhecer Sri Ramakrishna, eu esqueci completamente o meu passado. Sua elevada personalidade e magnetismo espiritual apagaram minhas tristes recordações.'
O amor e a afeição de Sri Ramakrishna cativaram a mente de M. e ele praticou disciplinas espirituais com todo entusiasmo sob a Sua orientação. Uma vez o Mestre encontrou-o meditando e disse: 'Muito brevemente você obterá resultados. Se você pratica um pouco, então alguém virá para socorrê-lo... O tempo está maduro para você.'
Simultaneamente a sua prática espiritual, M. estava, sem o saber, realizando uma grande missão: Anotava os eventos e conversações que ocorrerriam durante suas visitas ao Mestre. Quando algum dos devotos de Sri Ramakrishna pedia a M. para que mostrasse o seu diário, M. recusava-se dizendo, 'Eu o escrevi para mim mesmo, não para outros.'
Sempre que conseguia um intervalo durante seu trabalho como professor, ele se retirava para uma sala solitária na cobertura para ler seu diário, refletir e meditar nas palavras do Mestre. Fazia-o para em benefício próprio, tanto que anotou, 'de maneira que eu possa cumprir Seus ensinamentos mais perfeitamente'.
Entretanto, anos mais tarde, M. cedeu aos pedidos de seus amigos e devotos para publicar o seu diário. Deste modo veio à luz O Evangelho de Sri Ramakrishna, que foi primeiramente publicado em bengali em cinco volumes sob o título Sri Ramakrishna Kathamrita. Em 1942 o Swami Nikhilananda traduziu os cinco volumes para o inglês condensando-os em um único volume entitulado The Gospel of Sri Ramakrishna. 'Fazendo um bom uso dos seus talentos naturais e das circunstâcias que ele encontrou para si próprio, M. produziu um livro único, até onde vai o meu conhecimento, na literatura da biografia sagrada,' escreveu Aldous Huxley.
Em 1905 M. passou a viver num quarto solitário na cobertura do prédio da escola, e lá ele se reunia com monges e devotos os quais vinham para vê-lo. Esta conversas foram registradas pelo Swami Nityatmananda entre 1923 e 1932, e publicadas em Bengali em dezesseis volumes sob o título Sri Ma Darshan.
Um
dos monges que o visitou relembra: '...sob o abrigo do céu do jardim do terraço,
rodeado por arbustos e plantas, sentado no centro como um rish do passado, as
estrelas e os planetas em seus cursos assinalando para as coisas infinitas e
sublimes, ele nos falava sobre o mistério de Deus e seu amor, e da ânsia
que se ergue no coração humano para resolver o eterno enigma, como exemplificado
na vida do seu Mestre.'
Transformou-se numa fonte de inspiração para todos os monges e chefes de família
que vieram ao encontro dele. Devido a sua influência muitos renunciaram ao mundo
e transformaram-se em monges.
M. suspirou sua última prece:
'Gurudeva, Mãe, recebe-me em teu regaço .'
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