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ASHVATHA
A ÁRVORE DO SAMSARA

POR: SHANKARA ACHARYA

Esta árvore Ashvatha,
Consistente
De inquebrantáveis
E múltiplas misérias
Oriundas do nascer,
Do morrer e do sofrer,
Muda a sua natureza a cada instante,
Como a mágica de um ilusionista:
Águas de uma miragem.
Cidadela flutuante formada
Por nuvens nos céus.
E sendo de tal natureza,
É percebida apenas de maneira vaga,
Tornando-se, a final,
Irreal como uma mera árvore,
Insubstancial
Como o caule de um musgo.
É o tema das conclusões duvidosas
Dos intelectos de centenas de céticos.
O misterioso e indeterminado
Fato fenomênico
Dos investigadores
Da verdade científica.
Recebendo sua substancialidade
Do Supremo Brahman,
Conforme a descoberta da Vedanta.
Germinada da semente
Da natureza indiferenciada.
Está constituída de ignorância,
Desejo e atividade.
Tendo por seu broto germinal
A mente cósmica - o Brahman
Em seu estado manifesto -
Combinando em si mesmo
Os dois poderes
Do conhecimento e da ação.
Tem por tronco os vários corpos sutis
De todos os seres viventes.
Adquirindo o orgulho
De sua estatura ao ser regada
Pelas águas dos desejos sensoriais
De todos estes seres.
Seus tenros brotos são
Os objetos percebidos
Pelo intelecto e pelos órgãos sensoriais.
Suas folhas são os Vedas (As escrituras do conhecimento espiritual),





Os Smrtis (As escrituras sobre os deveres e regras sociais),
O Nyaaya (A lógica e o método científico),

O Vidyaa (A coletânea de todas as ciências),
O Upadesha (A instrução espiritual).
Ornada com as flores gentis
Do sacrifício,
Da caridade,
Das austeridades
E de todas as demais obras meritórias.
Dotada de diversos sabores
Provenientes das experiências
Alegres e tristes.
Tendo inumeráveis frutos
Que nutrem os seres.
Com suas ramas
Formadas das tendências adquiridas,
E bem nutridas pela irrigação
Das águas dos desejos
De todos os seres,
Que se encontram firmemente atados Pela força do envolvimento
Com seus mundos -
Estes ninhos de pássaros,
A começar por Satya (O plano da Verdade),
Formados por todos os seres vivos
Desde Brahmaa (a mente cósmica)
Seguindo em linha descendente
Até o menor dos menores.
Reverberando com os diversos sons Tumultuosos nascidos
Das alegrias e tristezas destes seres,
Devido a seus deleites e desgostos Resultantes do dançar,
Do brincar jocosamente,
Do tocar instrumentos,
Aplaudir, sorrir e chorar exclamando:
“Liberta-me, liberta-me”.
Esta árvore do samsara (existência relativa),
Cuja natureza é tal qual
O farfalhar constantes das folhas
Da figueira indiana
Agitadas pelo vento
Dos desejos e das atividades,
Deve ser destruída
Pela arma do desapego
Que é forjada pela realização
Da unidade entre Brahman e Atman,
Conforme ensinado pela Vedanta.

Tradução: Pedro Gentil

 

 

 

 

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