Filosofia

Vedanta é a fundamentação dos sistemas de filosofia dos hindus.

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Introdução

A filosofia Vedanta, como é geralmente chamada hoje em dia, realmente compreende todas as várias seitas que agora existem na Índia. Assim, tem havido várias interpretações, que têm sido progressivas, a começar pelo dualismo ou Dvaita, e terminando com o não-dualismo ou Advaita. A palavra Vedanta literalmente significa o fim dos Vedas - os Vedas sendo as escrituras dos hindus.

De forma geral, no Ocidente entende-se por Vedas os hinos e rituais dos Vedas. Mas no presente momento estes estão quase fora de uso, e, geralmente, a palavra Vedas na Índia, relaciona-se à Vedanta.

Em função da liberdade de investigação natural à espiritualidade indiana, algumas escolas ou sistemas de filosofia surgiram como expressões de uma tentativa de sistematização e compilação das descobertas, do pensamento e de suas conclusões. Estas escolas que são em número de seis, também são chamadas de pontos de vista ou darshans. O Vedanta, então, constitui a fundamentação de todos estes sistemas de filosofia dos hindus, sejam estes ortodoxos ou heterodoxos. Mesmo os budistas e jainistas, quando for adequando à sua finalidade, citarão uma passagem da Vedanta como autoridade.

Todas as escolas de filosofia na Índia, embora afirmem ter sido baseadas nos Vedas, deram nomes distintos para seus sistemas. O último, o sistema de Vyasa, foi o que mais fortemente se estabeleceu sobre as doutrinas dos Vedas, tentando harmonizar as filosofias anteriores, como o Sankhya e o Nyaya, com as doutrinas da Vedanta. Por isso, é especialmente chamado a filosofia Vedanta; e os sutras ou aforismos de Vyasa são, na Índia moderna, a base da filosofia Vedanta.

Novamente, esses Sutras de Vyasa foram diversas vezes explicados por diferentes comentadores. Em geral, existem três tipos de commentadores na Índia contemporânea; a partir de suas interpretações têm surgido três categorias para estes sistemas de filosofia. Uma delas é o dualista, ou Dvaita; a segunda é a não-dualista qualificada, ou Vishishtadvaita; e uma terceira é a não-dualista, ou Advaita. Destas, a dualista e a não-dualista qualificada incluem o maior número de adeptos.

Os não-dualistas são relativamente poucos em número. Embora sejam categorias de sistemas de pensamento distintas, estas apresentam uma linha psicológica que é a psicologia do sistema Sankhya. Esta psicologia Sankhya é muito parecida com aquelas dos sistemas Nyãya e Vaisheshika, diferindo apenas em elementos menores.


Três pontos fundamentais da Vedanta

Todos os vedantistas estão de acordo sobre três pontos.

Acreditam em Deus

Acreditam nos Vedas como revelação

Acreditam nos ciclos de existência

Já tecemos algumas considerações sobre Deus e os Vedas. Podemos resumir a crença nos ciclos da seguinte maneira: Toda matéria no universo deriva de uma matéria primordial chamada Âkâsha; e toda a força, seja gravitação, atração ou repulsão, ou a vida, é resultado de uma força primordial chamada Prana. Prana agindo sobre Âkâsha está criando ou projetando o universo. No início de um ciclo, Âkâsha está imóvel, não manifestada. Então Prana começa a agir, cada vez mais, criando mais e mais formas densas derivadas de Akasha - estrelas, mundos, plantas, animais, homens, e assim por diante. Depois de um tempo incalculável essa evolução pára e a involução começa, tudo retrocedendo através de formas cada vez mais sutis em direção ao Akasha e ao Prana primordiais, quando então, dá-se início a um novo ciclo.

Há algo além de Akasha e de Prana. Ambos podem ser absortos em uma terceira causa maior chamada Mahat - a Mente Cósmica. A presente Mente Cósmica não cria Akasha e Prana, mas manifesta-se como eles.


Mente, Espírito e Deus

De acordo com a psicologia do sistema Sankhya, na percepção - no caso da visão, por exemplo - em primeiro lugar temos os instrumentos de percepção, os olhos. Por de trás destes instrumentos - os olhos - está o órgão da visão ou Indriya - o nervo óptico e seus centros - que não são o instrumento externo, mas sem os quais, os olhos não poderiam ver.

Porém para dar-se a percepção, algo mais é necessário. A mente ou Manas deve vir e associar-se aquele órgão. E, além disso, a sensação deve ser levada para o intelecto ou Buddhi - o estado reativo e discriminativo da mente. Quando a reação vem de Buddhi, junto com ela vêm à luz o mundo externo e o egoísmo. Aqui, então, há a vontade; mas tudo ainda é incompleto. Assim como cada imagem, sendo composta por impulsos sucessivos de luz, deve estar vinculada a algo estático para formar um todo, de modo que todas as ideias na mente devem ser reunidas e projetadas em algo que seja estático relativamente ao corpo e à mente - que é conhecido por Alma, Purusha ou Âtman.

Instrumentos e condições para o sucesso

Temos apenas dois instrumentos essenciais para empreender a jornada da vida: a mente, e o corpo.

Duas condições: Primeiramente a observância de valores éticos, porque em última análise estamos unidos uns aos outros.

Nossa conduta no mundo deve ser tal que não sejamos causadores de qualquer discórdia, ressentimento ou desconforto para os demais. A excelência moral é o fundamento da Vedanta.

Depois disso, segue o preparao físico. Precisamos estar fisicamente saudáveis, fortes, livres de doenças e desconfortos. E ter a sabedoria para superar as limitações naturais do corpo. Com estas condições atendidas teremos o vigor e estado de espírito correto para uma aventura dessa natureza.

Um único ponto de partida

Então, por onde começar? Vendata repeita a constituição de cada pessoa e compreende que a prática só pode ser iniciada de um ponto:  o ponto onde a pessoa se ncontra no presente - independentemente de sua bagagem pessoal, independentemente de seus recursos. Vedanta diz: "Comece de onde você está. Siga em frente e não pare até atingir a meta"


Harmonia entre as religiões

Finalmente, Vedanta afirma que todas as religiões ensinam as mesmas verdades básicas sobre Deus, o mundo, e nossa relação com nossos semelhantes. Milhares de anos atrás, o Rig Veda declarou:

A Verdade é uma só, os homens a chamam por nomes diferentes.
~Rig Veda~

As religiões do mundo oferecem diversidade de abordagens sobre Deus, sendo cada uma delas verdadeira e válida. Cada religião oferece ao mundo um caminho único e insubstituível para a realização de Deus.

As mensagens contraditórias que encontramos entre as religiões são mais devidas à doutrinas e dogmas do que à realidade da experiência espiritual. Embora existam diferenças nas observâncias externas das religiões do mundo, as internas têm semelhanças notáveis.

VEDANTA É A CIÊNCIA DAS POSSIBILIDADES HUMANAS